Mostrando postagens com marcador Tantra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tantra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Yoga Ashram

Bem vindo! Você acaba de entrar em um Yoga Ashram.

Aqui você encontrará espaço para pesquisar a si mesmo, sua relação com a vida, com a natureza e com o cosmos.

Ninguém neste local é especial. Este local, em si, não é especial. Entendemos que "especial' é uma máscara que disfarça a carência e a vaidade.

Tudo o que você precisa para começar suas práticas você já tem: um corpo, uma mente e o chão.

Não há livros sagrados, não há líderes a serem seguidos e você não será pastoreado. Deverá se esforçar para encontrar sua própria consciência, realizar a diferença entre esta e sua mente, e seguir somente a ela.

Caso faça coisas boas e alimente alguma crença virtuosa em específico, não lhe diremos que irá para o céu. Por nenhuma ação equivocada ou crença disfuncional lhe será igualmente apontado o inferno.

Sentirá nascer dentro de si a compaixão, a empatia e o bom senso quanto mais mergulhar no silêncio e na auto observação. Isto não se dará como um dom divino. É sim sua verdadeira natureza aflorando e sua auto ilusão se dissipando.

Quando em seu silêncio receber uma revelação celestial, será pedido que não a escreva, publique ou mesmo a conte para os demais. Destas frações deslumbrantes da percepção do Todo, nascem o sentimento religioso e termina aí o Yoga. Aprenda a se aquietar, baixar a ansiedade em se expressar e simplesmente sinta sua experiência com sua alma. Ao contar aos outros criará a comparação, com ela o sofrimento e com isto dificultará a busca interna de seus companheiros que podem estar tendo experiências diferentes.

Respeite o diferente! Se observar bem, todo o Cosmos é um ode à diversidade, nada se repete.

No yoga ashram, esteja atento para não seduzir aos outros nem se seduzir por ninguém. Desenvolva a equanimidade, isto é, a capacidade de ver a todos da mesma forma, e tratar a todos como gostaria de ser tratado.

Espero que sua passagem por aqui seja rica, que colha os bons frutos de sua essência pura e clara.

Namaskar
um Yoga Acharya quarquer, sem nada de especial

sábado, 18 de julho de 2015

Três Estágios de Expansão da Mente


No texto de hoje, gostaria de refletir sobre três estágios de expansão da mente vivenciados pelos aspirantes espirituais em sua jornada rumo à auto realização.

O primeiro estágio de expansão da mente se refere a um certo êxtase diante da aquisição e reprodução de conhecimento. Aqui, o aspirante espiritual se depara com uma vasta quantidade de informações que apontam para a Meta Suprema. Ele ou ela sente uma forte necessidade de ler livros, participar de seminários e palestras, assistir documentários, fazer pesquisas sobre assuntos que discorram sobre as capacidades inerentes à mente. Se encanta o aspirante espiritual em saber que pode atingir estados muito superiores ao que se encontra no momento presente e, ao sentar em uma roda de amigos, deleita-se em citar as informações adquiridas, argumentar, parafrasear autores renomados. Sente a profunda necessidade de que os demais saibam "das coisas" e que saiam da ignorância. Este estágio é marcado pela “crença” a respeito de algo maior.

Há, no entanto, um momento em que percebe que toda a informação que adquiriu é, por si só, híbrida; não é capaz de o fazer avançar ou expandir de fato suas capacidades mentais. Acredita que pode avançar, mas se dá conta que desconhece os “meios” para o fazer. Percebe que acreditar e citar textos e autores é insuficiente para se auto realizar. Necessita descobrir as técnicas e os métodos que levaram tantos seres à auto realização. Dá-se, então, início ao caminho da disciplina, da técnica e do método – o caminho do Yoga.


Ao ser iniciado nas disciplinas yóguicas, o aspirante espiritual se vê diante de uma nova aventura, cheia de desafios, entre eles o de pôr em suspensão todas as suas crenças e conhecimentos adquiridos, atendo-se somente à auto-observação. Deve evitar a qualquer custo a tentação de formar ideias novas sobre si mesmo, sobre os outros, sobre o mundo – não lhe é mais permitido “crer”, somente observar, sentir, presenciar. Nota que necessita do conselho de yogues mais experientes para discernir de forma crítica sobre a legitimidade de seu avanço em contraste com a tendência inerente à auto ilusão, mecanismo clássico do funcionamento da mente humana. Não raro, encontrar-se-á em profunda solitude, comungando consigo mesmo e com a Consciência Suprema. Mesmo na companhia de outros se sentirá só, desejará estar só, e compreenderá que a profundidade e a velocidade de seu avanço dependem de seu recolhimento solitário e dedicação à autodisciplina. Nota que é a “sinceridade” de sua prática que lhe provê o magnetismo necessário para atrair os recursos para cada próxima etapa de seu progresso.

Este estágio pode durar algumas vidas, e culmina no auto aperfeiçoamento do Ser. Através da autodisciplina, o aspirante espiritual conquista a Natureza, os cinco elementos que compõe seu corpo e a matéria, os sentidos e converte sua mente da condição de traiçoeira para sua maior aliada, aniquilando sua força de auto boicote. Pela observação e experiência direta, compreende o funcionamento das Leis que regem a Vida e a Ordem Cósmica.

Como resultado de seu sincero esforço, aprende a receber instruções diretas da Mente Cósmica, a Entidade Suprema. É neste estado que se inicia a jornada Tântrica. O aspirante espiritual realiza agora que as disciplinas pessoais, por mais imprescindíveis que sejam, são também limitadas; que os métodos e técnicas são como roupas apertadas. Seu único Yoga se tornou o Bhakti, a Devoção e a Entrega completa ao Ser Supremo. Vence suas limitações auto impostas, e flui agora em um fluxo contínuo de Bem-Aventurança. Sua motivação maior se torna o serviço para o bem-estar de toda a criação. Seus olhos são livres de qualquer dualidade ou discriminação, em tudo o que pousam reconhecem o Uno Indivisível, seu Amante Supremo – O ama em tudo e em todos, deseja somente Lhe dar prazer. Tal é o terceiro estágio de expansão da mente de um aspirante espiritual. Este se encontra livre de todas as crenças e disciplinas. As utiliza somente para dar exemplos aos jovens aspirantes e os inspirar a desenvolver a prática sincera. Está apto a retornar para Casa, fundir-se com a Fonte, com o Uno Indivisível, todavia, por compaixão posterga sua liberação final. Deseja ardentemente que a todos os seres sejam garantidas a possibilidade e os recursos necessários para que transcendam as aflições advindas do nascimento, envelhecimento, da doença, da morte e do renascimento.

O Tantra é certamente o caminho de todos os Budas, o caminho sem caminho. Há somente o caminhante e a Consciência Suprema, e ambos unificados em Um só Ser. Este estado de auto realização é o direito de nascimento de todos os seres, o desiderato único de toda a criação. Todas as pessoas inteligentes se lembram disto a todo o tempo e aceleram o passo rumo à auto realização do Ser. Como ensina meu Amante Supremo, a vida humana é muito curta, portanto, aproveite cada oportunidade possível para desenvolver-se através de disciplinas e práticas espirituais.

BABA NAM KEVALAM – TUDO É O SER SUPREMO

Profundo Namaskar
Satyavan Rogério


Dedicado aos pés de lótus de meu Amado Anandamurti, para o bem de todos. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mahamudra de Tilopa

A Instrução Mahamudra para Naropa em Vinte e Oito Versos

A Instrução Mahamudra para Naropa em Vinte e Oito Versos foi transmitida pelo grande mestre e mahasiddha Tilopa ao pandita, sábio e siddha de Kashmir, Naropa, próximo aos bancos do rio Ganges, após completar suas doze austeridades. Naropa transmitiu os ensinamentos em sânscrito, na forma de vinte e oito versos, ao grande tradutor Marpa Chökyi Lodrö, que fez uma tradução livre deste texto em sua vila, Pulahari, na fronteira do Tibet com o Butão.

Homenagem aos Oitenta e Quatro Mahasiddhas!

Homenagem ao Mahamudra!

Homenagem à Vajradakini!



[1] O Mahamudra não pode ser dito, mas ó inteligente Naropa,

Como você passou pela austeridade rigorosa,

Com tolerância no sofrimento e devoção ao mestre,

Ó abençoado, guarde esta instrução secreta em seu coração.


[2] O espaço é suportado em algum lugar? Sobre o que ele repousa?

Como o espaço, o Mahamudra não depende de coisa alguma;

Relaxe e se assente no continuum da pureza indestrutível

E, com as amarras soltas, a liberação é certa.


[3] Olhando concentradamente para o céu vazio, a visão cessa;

Do mesmo modo, quando a mente olha para a própria mente,

Termina o treinamento do pensamento discursivo e conceitual

E a iluminação completa é obtida.


[4] Assim como a neblina da manhã se dissolve no ar,

Indo a lugar nenhum mas cessando de ser,

As ondas da conceitualização — tudo criação da mente — se dissolvem

Quando você observa a verdadeira natureza de sua mente.


[5] O espaço puro não tem cor ou forma

E não pode ser manchado de preto ou branco;

Assim também, a essência da mente está além da cor e da forma

E não pode ser manchada por ações negras ou brancas.


[6] A escuridão de mil eras não tem poder

Para ofuscar a claridade de cristal do coração do sol;

E do mesmo modo, eras de samsara não têm poder

Para encobrir a luz clara da essência da mente.


[7] Apesar do espaço ser designado de vazio,

Na realidade ele é inexprimível;

Apesar da natureza da mente ser chamada de luz clara,

Sua própria atribuição é uma ficção verbal sem base.


[8] A natureza original da mente é como o espaço;

Ela permeia e abraça todas as coisas sob o sol.

Seja calmo e permaneça relaxado no conforto genuíno,

Seja quieto e deixe o som reverberar como um eco,

Mantenha silenciosa a sua mente e assista o fim de todos os mundos.


[9] O corpo é essencialmente vazio, como um tronco de junco,

E a mente, como o espaço puro, transcende absolutamente o mundo do pensamento;

Relaxe em sua natureza intrínseca, sem abandono ou controle —A mente sem objetivo é o Mahamudra

—E, com a prática perfeita, a iluminação suprema é obtida.


[10] A luz clara do Mahamudra não pode ser revelada

Pelas escrituras canônicas e tratados metafísicos

Do Mantravada, das Paramitas ou do Tripitaka;

A luz clara é encoberta pelos conceitos e idéias.


[11] Nutrindo preceitos rígidos, o verdadeiro samaya é enfraquecido,

Mas com a cessação das atividades mentais, todas as noções fixas se apaziguam;

Quando a maré do oceano é una com suas profundezas pacíficas,

Quando a mente nunca se desvia da verdade indeterminada e não-conceitual,

O samaya inquebrável é como uma lâmpada acesa na escuridão espiritual.


[12] Livre dos conceitos intelectuais, desaprovando os princípios dogmáticos,

A verdade de cada escola e escritura é revelada.


[13] Absorvido no Mahamudra, você está livre da prisão do samsara;

Equilibrado no Mahamudra, a culpa e a negatividade são consumidas;

E como um mestre do Mahamudra, você é a luz do Dharma.


[14] O tolo em sua ignorância, desprezando o Mahamudra,

Nada conhece além da luta na inundação do samsara.

Tenha compaixão por aqueles que sofrem de constante ansiedade!

Doente de um sofrimento inflexível e desejando a liberação, adira a um mestre,

Pois quando a bênção dele tocar o seu coração, a mente é liberada.


[15] Kyeho! Ouça com alegria!

O investimento no samsara é fútil; é a causa de cada ansiedade.

Já que o envolvimento mundano é inútil, procure o coração da realidade.


[16] Na transcendência das dualidades da mente, está a visão suprema;

Em uma mente calma e silenciosa, está a meditação suprema;

Na espontaneidade, está a atividade suprema;

E quando todas as esperanças e medos falecem, a meta é alcançada.


[17] Além de todas as imagens mentais, a mente é naturalmente clara:

Não siga outro caminho que não seja o dos buddhas,

Não aplique técnica alguma para obter a iluminação suprema.


[18] Kyema! Ouça com simpatia!

Com a sabedoria em seu lamentável predicamento mundano,

Percebendo que nada pode durar, que tudo é como um sonho,

Como uma ilusão sem significado, que provoca frustração e aborrecimento,

Retorne e abandone suas buscas mundanas.


[19] Corte o envolvimento com sua terra natal e seus amigos

E medite sozinho em um retiro na floresta ou na montanha;

Fique lá em um estado de não-meditação

E, atingindo o não-atingimento, você atinge o Mahamudra.


[20] Uma árvore estende seus galhos e põe folhas,

Mas quando sua raiz é cortada, sua folhagem seca.

Assim também, quando a raiz da mente é cortada,

Os galhos da árvore do samsara morrem.


[21] Uma única lâmpada elimina a escuridão de mil eras;

Do mesmo modo, um único lampejo da luz clara da mente

Apaga eras de condicionamento kármico e cegueira mental.


[22] Kyeho! Ouça com alegria!

A verdade além da mente não pode ser compreendida por qualquer faculdade mental;

O significado da não-ação não pode ser compreendido pela atividade compulsiva;

Perceber o significado da não-ação e do além-mente

Corta a mente em sua raiz e repousa na consciência nua.


[23] Permita que as águas barrentas da atividade mental se clareiem;

Refreie tanto a projeção positiva quanto a negativa —

Deixe as aparências sozinhas.

O mundo dos fenômenos, sem adição ou subtração, é o Mahamudra.


[24] A onipresente base não-nascida dissolve seus impulsos e delusões;

Não seja convencido ou calculista, mas repouse na essência não-nascida

E deixe se dissolver todos os conceitos de si mesmo e do universo.


[25] A mais elevada visão abre cada porta;

A mais elevada meditação sonda as profundezas infinitas;

A mais elevada atividade é não-governada, porém decisiva;

E a mais elevada meta é o ser comum, sem esperança ou medo.


[26] No começo, seu karma é como um rio caindo em um desfiladeiro;

No meio, ele flui como um rio Ganges serpenteando gentilmente;

E no fim, assim como um rio se torna um com o oceano,

Ele termina na consumação, como o encontro de mãe e filho.


[27] Se a mente for estúpida e você for incapaz de praticar estas instruções,

De reter a respiração essencial e expelir a seiva da consciência,

De praticar olhares fixos — métodos de focalizar a mente —,

Discipline-se até que o estado de consciência mental se estabeleça.


[28] Quando servir a uma consorte, a consciência pura do êxtase e da vacuidade surgirá.

Disposto na abençoada união da sabedoria e dos meios hábeis,

Envie a bodhichitta vagarosamente baixo, retenha-a, retraia-a para cima

E, conduzindo-a à fonte, sature o corpo inteiro.

Mas essa consciência surgirá apenas se o desejo e o apego estiverem ausentes.

Então, obtendo a jovialidade da vida longa e eterna, crescente como a lua,

Radiante e clara, com a força de um leão,

Você obterá rapidamente o poder mundano e a iluminação suprema.


Possa esta instrução essencial do Mahamudra Permanecer nos corações dos seres afortunados.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

MEIO-BANHO (Vyapaka Shaoca)

“Mantenha seu corpo limpo e bem-cuidado como um templo”.
Shrii Shrii Anandamurti

Foi explicado anteriormente (Ponto 1: Uso de Água) que todas as ações produzem calor e que isto, indiretamente, afeta a mente. Assim, antes das atividades que requerem concentração ou tranquilidade – como meditar, comer, dormir etc. –, é aconselhável resfriar o corpo com um meio-banho. Esse método consiste em resfriar as partes do corpo com vasos estreitos, como as mãos e os pés, para que o sangue refrescado se espalhe rapidamente por todo o corpo.

O meio-banho é feito da seguinte forma: 
  • molha-se a região do órgão sexual, do umbigo para baixo;
  • molham-se as pernas, do joelho para baixo, e os braços, do cotovelo para baixo;
  • enche-se a boca com água, e joga-se, com a mão, água nos olhos abertos, por pelo menos 12 vezes, cuspindo a água em seguida;
  • faz-se a limpeza nasal da seguinte forma: enche-se uma mão (ou as duas) com água, encostando-a abaixo do nariz, com a cabeça abaixada. Depois, levanta-se a cabeça, deixando a água escorrer suavemente pelas narinas, até que ela saia pela boca. (Atenção: deve-se evitar assoar o nariz em seguida, pois a água pode se espalhar na região do ouvido, causando desconforto. 
  • Os novos praticantes podem usar pouca água, até se acostumar); coloca-se o dedo médio da mão direita no fundo garganta, para expelir o muco acumulado (é recomendável lavar as mãos antes);
  • molha-se atrás das orelhas e do pescoço e, por fim, a face.

Tudo isso é para ser feito com água fria. Os habitantes de regiões muito frias podem usar água morna, mas nunca com temperatura superior à do corpo. 

Depois que essa prática se torna habitual, ela não leva mais do que 2 ou 3 minutos.

A água espargida nos olhos é bastante saudável, pois ela evita alguns problemas de vista causados pelo calor, como a catarata. 

Essa prática também baixa a tensão ocular e alivia as dores de cabeça.

A limpeza do duto nasal e da garganta é outra recomendação excelente. 

Limpa várias partículas de pó acumuladas nos pêlos e nos dutos nasais no decorrer do dia. Quando são removidos a sujeira e o muco nasal, melhora-se o olfato e a respiração e são prevenidos, até certo ponto, os resfriados e as inflamações de garganta.

As partes do corpo localizadas por detrás da orelha e do pescoço acumulam muito calor. Por isso, quando molhamos essas áreas, sentimos uma sensação refrescante.

Os benefícios da água espargida nos olhos foram confirmados em pesquisas médicas. Descobriu-se que os mergulhadores profissionais, por permanecem muito tempo debaixo d’água, têm taxa metabólica baixa. Os médicos comprovaram em pacientes cardíacos esse fenômeno, que foi denominado “reflexo do mergulho”. Eles notaram que, quando eles ficavam com o rosto submerso em água fria, seus batimentos cardíacos caíam bastante. Após o meio-banho, esse efeito também ocorre, ou seja, o metabolismo cai, e, com isso, o organismo fica em estado apropriado para a meditação.

Assim, devido aos seus efeitos bastante benéficos, o meio-banho deve ser feito antes da meditação, das refeições (para acalmar o corpo e ajudar na digestão), das ásanas e de dormir. Porém, se após a meditação, a pessoa tiver que comer, fazer ásanas ou dormir, não será necessário outro meio-banho. Mas, pelo menos antes de comer, deve-se lavar as mãos e, se possível, os pés, pois neles há mais de 70 mil terminações nervosas. O meio-banho é também benéfico para as atividades que exigem concentração, como assistir a uma aula, ler um livro, ou qualquer outra atividade psíquica ou psicoespiritual. Se fizermos meio-banho e meditarmos um pouco antes de dormir, teremos sono tranqüilo.

Uma última orientação sobre o meio-banho: é importante secar bem a região púbica e os pés, especialmente os dedos, pois essas áreas ficam normalmente cobertas e acumulam calor e umidade. Nos pés, às vezes, se desenvolvem fungos. Para evitar a irritação da pele e a proliferação de fungos, pode-se usar o óleo de coco ou outro similar.

Shrii Shrii Anandamurti

A Importância da Linfa

Os gânglios linfáticos proveem a matéria prima – linfa – para as fábricas – as glândulas – e as linfas excedentes vão para o cérebro e nutrem as células nervosas no crânio. Quando a linfa entra em contato com uma glândula ativa, hormônios são criados.

Se alimentos picantes e estáticos, ou excesso de proteína animal for ingerido por homens, a quantidade de linfa diminuirá e a conversão de linfa em sêmen aumentará. Isto levará ao atraso intelectual. Pode ser observado que pessoas que ingerem muita proteína animal tendem a produzir muitos filhos.

Os homens deveriam ter controle apropriado sobre a conversão de linfa em sêmen. Isto é parte de Brahmacarya Sádhaná [meditação na Entidade Suprema]. Os homens devem ter controle apropriado sobre seus corpos. Seres humanos deveriam ser sutis na alimentação, mente e intelecto.

Apesar de os carnívoros serem mais astutos e espertos que os [granívoros], eles são geralmente menos intelectuais. Será muito difícil para um tigre, um gato ou um cão fazer prática espiritual. Um macaco ou uma vaca pode fazer tais práticas, pois eles obtêm muita clorofila de gramas, capins e outros vegetais verdes. Animais granívoros produzem mais linfa que os carnívoros, e é por isso que seus cérebros são mais desenvolvidos.

A linfa é necessária para a produção de leite. A maior parte das mulheres pode se mover com agilidade até terem seus bebês, mas depois de terem dado a luz, elas geralmente não se movem tão rapidamente.

Vegetarianos produzem mais linfas porque obtêm mais clorofila de folhas verdes e por isso seus cérebros são mais desenvolvidos do que os não-vegetarianos. Aqueles que consomem proteína animal [negligenciando vegetais verdes] sofrem de falta de linfa, pois a proteína animal possui muito pouca clorofila.

Linfa é produzida a partir da proteína animal também, mas dado o fato de a proteína animal produzir muito calor no corpo humano, a linfa é rapidamente convertida em sêmen.

Qual é a matéria inicial para a fabricação de linfa? Linfa é produzida a partir da energia e vitalidade adquiridas dos diferentes cinco elementos do universo, como a água, o ar e a luz. Esta é a matéria prima. O material final é Shukra [que possui 3 fases: linfa, espermatozoide e fluído seminal]. Esta é a matéria mais desenvolvida – o creme dos cremes! A clorofila acelera a produção de linfas, mas não age como a matéria prima.

Em certas pessoas, a maior parte da linfa é desperdiçada, e é por isso que elas são deficientes intelectualmente. Mas para os aspirantes espirituais, uma vez que a maior parte de sua linfa permanece no corpo, eles não deverão sofrer nenhuma deficiência intelectual. Esta é a razão pela qual o nível intelectual dos aspirantes espirituais é maior do que o das pessoas comuns.

Agentes catalíticos positivos ou negativos tem um efeito importante sobre a produção da linfa. Ambientes psíquicos e físicos positivos são agentes catalíticos positivos, e ambientes negativos estas esferas surtem efeito catalítico negativo. Mesmo que a comida ingerida seja sutil, se o ambiente for negativo haverá detrimento no progresso mental. Salas de cinema, prostíbulos e centros comerciais agitados são ambientes negativos. Más discussões, livros ruins, maus pensamentos predominantes na população são ambientes psíquicos negativos – catalíticos negativos. Se o ambiente for bom, como um local de práticas espirituais, o efeito catalítico será positivo. Se houverem muitos aspirantes espirituais e discussões elevadas, um ambiente psíquico positivo será criado e isto ajudará a fabricar linfa.

A linfa em si é um hormônio, e é convertida em outros hormônios pelas diferentes glândulas. Linfa é o hormônio inicial. A criação de hormônios nas outras glândulas depende de agentes catalíticos positivos ou negativos. É por esta razão que nos tempos antigos, Shiva enfatizou a importância da Satsaunga [associação com boas pessoas]. A Satsaunga provê um ambiente psíquico positivo. Boa companhia leva à liberação, enquanto má companhia leva a limitação, ao aprisionamento pelas amarras.

Shrii Shrii Anandamurti, Psicologia do Yoga (Yoga Psychology) 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Folha ao Vento e a Disposição do Guerreiro


"Procurar a perfeição do espírito do guerreiro é o único empreendimento digno de nossa virilidade."

[...]

" - Você se sente como uma folha à mercê do vento, não é? - disse ele, por fim, olhando fixamente para mim.

Era exatamente como eu me sentia. Ele parecia ter empatia em relação a mim. Disse-me que meu estado de espírito lembrava-lhe uma canção e começou a cantar num tom baixo; sua voz era muito agradável e as palavras me transportaram. 'Como estou longe do céu onde nasci. Uma imensa nostalgia me invade o pensamento. Agora que estou tão só e triste, qual folha ao vento, às vezes quero chorar, às vezes quero rir de saudade. '

Ficamos um tempo enorme sem dizer uma palavra. Afinal, Dom Juan rompeu o silêncio.

- Desde o dia em que você nasceu, de uma maneira ou de outra, as pessoas têm feito alguma coisa a você.

- Está certo - concordei.

- E têm feito coisas a você contra sua vontade.

- É verdade.

- E agora você está indefeso como uma folha ao vento.

- Certo. É assim que é.

Falei que as circunstâncias de minha vida, por vezes, tinham sido arrasadoras. Escutou com atenção, mas não conseguia saber se ele estava sendo simpático ou se realmente se interessava, até que percebi que ele estava tentando disfarçar um sorriso.

- Por mais que você sinta pena de si mesmo, vai ter que mudar isso - disse ele, em voz baixa. - Não condiz com a vida de um guerreiro.

Ele riu e tornou a cantar a canção, mas mudou a entonação de certas palavras; o resultado foi um lamento cômico. Observou que o motivo pelo qual eu gostara da canção fora porque em minha própria vida eu não fizera outra coisa senão encontrar defeito em tudo e lamentar-me. Não pude discutir com ele. Tinha razão. No entanto, eu acreditava ter motivos suficientes para justificar minha impressão de ser como uma folha ao vento.

- A coisa mas difícil deste mundo é adquirir a disposição de um guerreiro - disse ele - Não adianta ficar triste, queixar-se e achar justificativas para isso, acreditando que alguém está sempre nos fazendo alguma coisa. Ninguém faz nada a ninguém, muito menos a um guerreiro.

- Você está aqui, comigo, porque quer estar aqui. A essa altura, já devia ter assumido plena responsabilidade, de modo que a idéia de estar à mercê do vento fosse inadmissível.

[...]

- Precisamos da disposição de guerreiro para todos os atos - disse ele. - Senão, ficamos fracos e feios. Não existe poder numa vida que não tenha essa disposição. Olhe para si. Tudo o ofende e perturba. Geme e reclama e acha que todo mundo está abusando de você. É uma folha à mercê do vento. Não existe poder em sua vida. Que sentimento feio isso deve ser!

'Um guerreiro, ao contrário, é um caçador. Calcula tudo. Isso é controle. Mas, uma vez terminados seus cálculos, ele age. Entrega-se. Isso é abandono. Um guerreiro não é uma folha à mercê do vento. Ninguém pode empurrá-lo; ninguém pode obrigá-lo a fazer coisas contra si ou contra o que acha certo. Um guerreiro é preparado para sobreviver e ele sobrevive da melhor maneira possível. '

Gostei da posição dele, embora considerasse nada realista. Parecia simplista demais para o mundo complexo em que eu vivia.

Ele riu de meus argumentos e eu insisti que a disposição de um guerreiro não podia ajudar-me a dominar a sensação de estar ofendido, ou de ser ferido de fato pelo ato de meus semelhantes, como no caso hipotético de ser fisicamente atormentado por uma pessoa cruel e maldosa, colocada num posto de autoridade. Ele confessou que o exemplo era adequado.

- Um guerreiro pode ser ferido, mas não ofendido - disse ele. Para um guerreiro, não há nada de ofensivo nos atos de seus semelhantes, enquanto ele estiver agindo dentro da disposição correta.

'Na outra noite, você não ficou ofendido com a onça. O fato de ela nos perseguir não o irritou. Não ouvi maldizê-la, nem que ela não tinha o direito de nos perseguir. Podia ter sido uma onça cruel e maldosa, ao que você soubesse. Mas isso não pesou para você, quando estava tentando evitá-la. A única coisa que interessava era sobreviver. E isso você fez muito bem.

'Se estivesse sozinho e a onça o tivesse pegado e estraçalhado até à morte, não lhe ocorreria sequer reclamar ou ficar ofendido com os atos dela.

'A disposição de um guerreiro não é assim tão rebuscada para seu mundo ou de qualquer pessoa. Você precisa dela para poder livrar-se de todas as besteiras.'

Expliquei meu raciocínio. A onça e meus semelhantes não estavam num pé de igualdade, porque eu conhecia os maneirismos íntimos dos homens, enquanto que não sabia nada a respeito da onça. O que me ofendia em meus semelhantes era que eles agiam maldosamente e em plena consciência.

- Sei disso, sei disso - falo pacientemente. - Conseguir a disposição de um guerreiro não é coisa fácil. É uma revolução. Considerar a onça e os ratos-d'água e nossos semelhantes como iguais é um ato magnífico do espírito do guerreiro. É preciso poder para fazer isso.

(Viagem a Ixtlan - Carlos Castaneda. Ed. Record)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Virtudes da coragem no caminho do guerreiro

Alegria, felicidade, harmonia e paz
residem na sua capacidade de viver corajosamente 
de acordo com sua ideologia.
Estes atributos advém de um sentido de integridade
e respeito para consigo próprio e para com o próximo.

Perdão, compaixão e complascência
são análogos à auto-importância, auto-piedade
e à auto-estima. 
Ser impecável aos seus próprios olhos e andar
no caminho do auto-aperfeiçoamento,
diminui a necessidade de se pedir perdão.

Compaixão verdadeira não é um sentimento,
mas uma ação energica diante do sofrimento alheio.
Observar o sofrimento de outrem, e sentir pena,
é o mesmo que sentir pena de si mesmo,
sem fazer nada para mudar a própria realidade.
Trata-se de uma atitude híbrida e falseada.

No caminho do guerreiro abandona-se a compaixão sem ação,
ou os sentimentos de piedade e complascência.
Vale-se então de um senso de praticidade ativa.
Abandona-se também a culpa pessoal a do próximo.
A sobriedade aparece livre de sentimentalismos 
e age na direção do auto-aperfeiçoamento,
ao invés de um pedido solene e híbrido de perdão.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Esconderijo Sagrado


tudo o que de Deus descobrir
esconde bem no seio do teu ser
afasta dos teus lábio e do ouvido de outrem
pois quando a alguém O revelar
um Deus só não mais há de haver
a comparação nascerá
e com ela a cobiça e a guerra também
por isso, teu Deus é teu, só teu
não o reveles a mais ninguém
para que possa continuar sendo Ele um só Deus.

*

outro igual a Si mesmo nunca O gerou
mas quanto a ti e a mim, em muitos multiplicou
espalhou-Se em cada um, sem Se repetir
para em silêncio profundo, quando do eu me despir
restar um único Eu, sem mim ou ti!

*

revele o Eterno no teu agir
esconda de teus lábios Seu Nome
pois tal, como O revelou a ti
é um segredo entre tu o Sem Nome;
quando pois ao vento O confessar
encontrará uma barreira para não transpor
esta está no coração de teu irmão
que O ouviu em um outro tom...
guardando o Eterno no local secreto
cessa-se a guerra, a comparação e a miséria

*

não te aprece em iluminar teu irmão
a luz que possui, o possui ele no mesmo quinhão
se o véu que a oculta é mais grosso que o teu
a chuva, o sol, o vento e o tempo
o puirão antes de todo o fim.
que tua luz ilumine a ti mesmo então
se assim proceder de nada terá medo
e até sob tua própria sombra encontrarás sossego.